Nós, enquanto humanos, temos uma necessidade primordial que vai além do alimento. A criança que nasce precisa, sobretudo, de contato e afeto.

Nossas necessidades emocionais são tão autênticas e importantes para a sobrevivência quanto as necessidades físicas.

Essa característica não é só nossa, mas algo que compartilhamos com todos os mamíferos.

Um estudo famoso realizado pelo psicólogo Harry Harlow na década de 1960 comprovou isso. Ele separou macaquinhos de suas mães e os colocou em uma sala onde colocou duas “macacas”  substitutas: uma feita de arame, onde havia uma mamadeira para se alimentarem, e outra feita de espuma.

Apesar da fome, os macaquinhos preferiam ficar no “colo” da macaca de espuma, fofinha e quentinha.

Ele também percebeu que, ao crescer privados de afeto e atenção das mães, esses macaquinhos tornavam-se apáticos e desinteressados até mesmo nas necessidades primordiais de sobrevivência: alimentação e procriação.

O que este estudo triste nos mostra é que, como mamíferos, nossas necessidades de afeto precisam ser satisfeitas satisfatoriamente para que possamos crescer saudáveis e plenos.

E aí vem uma questão: as gerações que cresceram até aqui, de forma geral, não tiveram suas necessidades emocionais supridas. Seja porque seus cuidadores (pais, familiares etc) não tiveram esse cuidado também e não sabiam como proporcioná-lo, seja porque não entendiam ou não tinham tempo para fazer isso.

Quando os pais não são acessíveis emocionalmente, feridas podem surgir daí e durarem uma vida inteira se não forem trabalhadas.

É possível até que as pessoas que não tiveram suas necessidades emocionais supridas passem a procurar em outros esse preenchimento. Porém, na idade adulta precisamos entender que apenas nós podemos olhar para nossas feridas e curá-las. Abraçar nossa criança interior ferida e acolher os sentimentos que vierem (de tristeza, dor, raiva) e aceitar o que foi, podendo fornecer amor para aquela criança que talvez não tenha sido compreendida e olhada como precisava é potente e transformador.

Cuidar da criança interior ferida é uma forma linda e responsável de cuidar das crianças presentes, sejam filhos, netos, sobrinhos. É reconhecendo e cuidando de nossas dores que fazemos o mundo um lugar mais amoroso e empático.