No meio de tantas incertezas e desafios que estamos passando este ano, percebo que a maioria de nós tem tido um companheiro incansável: o medo.
O medo tem uma função muito vital em nossa sobrevivência. Ele nos deixa prudentes, nos impede de olhar dentro da boca de um leão para ver como é ou pular de um penhasco pra ver a vista lá de baixo. Crianças bem pequenas já experimentam medo em contato com pessoas que elas não conhecem. Esse mecanismo de sobrevivência tão incrível nos ajudou a chegar até aqui, vivos!
Mas, como nem tudo são flores, o medo também pode ter um lado bem perverso. Quando ele é demais, nos paralisa e nos impede de fazer coisas que gostaríamos, de ter contatos que nos fariam felizes por medo da vergonha, da dor, da separação… coloca uma lista imensa aí.
Nesse momento em que o medo parece ser quem está pilotando nossas vidas, me peguei escrevendo um texto para esse personagem que sempre me acompanhou. Como a experiência de ter medo é universal, achei que poderia ressoar em você também. Por isso compartilho contigo minha carta para o meu medo.
Me diz o que achou, se você se sente assim também e, se conhecer alguém que pode se beneficiar dessa leitura, compartilha com ela (ele)!
Carta para o meu medo
Medo,
você e eu somos velhos conhecidos. Você tem andado ao meu lado por toda uma vida, me levando pela mão. Você tem sido meu guia, me mostrando por onde andar, onde pisar, com quem falar, o que fazer e, o mais importante!, o que não fazer para me manter viva.
Sei que você sempre teve a intenção de me manter segura. E, por isso, eu te sou eternamente grata!
Mas a questão é que segura, estou perdendo minha vida. Segura, me sinto uma árvore seca, destituída de suas raízes e sem pernas para sair do lugar. Morta.
Tenho tentado me proteger do mundo e das pessoas há tanto tempo! E fiquei sozinha em meu próprio deserto. Tenho tentado evitar aquela dor tão excruciante da crítica, da vergonha e da rejeição, velhas conhecidas. Mas pra isso me prendi na minha própria torre de marfim, você como meu carcereiro. E essa vida sozinha na torre, vendo o mundo do alto, não tem valido a pena. Preciso voltar para o chão, sentir o perfume das flores e a umidade da grama. Preciso alimentar minhas raízes pra crescer minhas folhas.
Você me ajudou a sobreviver, mas o que eu preciso agora é viver. Peço que continue comigo enquanto prudência, mas que não me acompanhe mais como paralisia. Tem muita vida aqui e ela precisa ser compartilhada.
Amor e luz!