A masculinidade e a feminilidade são forças arquetípicas, muito além de papéis sociais. Isso quer dizer os atributos do masculino e feminino vivem em nós, de forma consciente e inconsciente, anteriormente ao que aprendemos sobre ser homem e mulher. Jung, psiquiatra suíço, afirma que todos temos essas duas forças em nós, independente do gênero.  São maneiras diferentes de se relacionar com o mundo, a vida e o sexo oposto.

O masculino arquetípico, ou animus, se relaciona com a ação no mundo, consciência analítica, linear e causal. O feminino arquetípico, ou anima, se relaciona com a eternidade, a sensualidade, a consciência intuitiva e não linear. Ambos fazem parte da natureza de todos nós.

Porém, desde o período Neolítico, o ego humano, frágil e medroso, teme o feminino como força da vida e da morte, inconstância, transformação e impermanência da natureza.

Nosso ego tem necessidade de controle, de que as coisas permaneçam sempre iguais e medo de se perder no oceano do inconsciente. Esse medo abissal abriu precedente para um temor imenso do feminino, que é mais perceptivelmente ligado às mulheres.

Foi assim que o ego patriarcal começou sua “caça às bruxas”, temendo e tentando eliminar tudo que fosse natural, instintivo, emocional e não pudesse ser controlado, como a força da natureza.

São milênios de repressão e tortura do feminino, que se expressa na violência contra a mulher, na destruição da natureza, na repressão do corpo e da emotividade (já ouviu dizer que homem não chora?).

O patriarcado machista se mantém pelo medo: do feminino, da natureza, das mulheres. E nós também contribuímos com ele reproduzindo padrões de comportamentos que não estão alinhados à nossa essência e nos distanciando de nós mesmas e do nosso corpo para sermos aceitas nessa sociedade doente.

Só mudaremos essa história quando pudermos aceitar as transformações necessárias que a vida nos traz e quando pudermos acolher o feminino dentro de nós e no mundo.

Mulher, você é força de vida. Não aceite ser violentada em sua essência. Saia de relacionamentos, lugares, pensamentos que não te deixam ser inteira.

 

Se presenciar violência contra a mulher, denuncie anonimamente: 180.